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sexta-feira, 12 de junho de 2026

O projeto Sorriso Feliz: da extensão universitária às políticas públicas voltadas para a saúde bucal infantil

Iniciativa da Faculdade de Odontologia de Araçatuba trouxe atendimento odontológico a cerca de 250 mil crianças e recém-nascidos entre 2013 e 2025, alcançando escolas e creches de dez municípios do interior e se firmando como referência para secretarias de saúde do estado.
Isis Bianco

Ativo desde 2013, o projeto Sorriso Feliz, desenvolvido pela Faculdade de Odontologia de Araçatuba da Unesp, vem se destacando junto à população e as autoridades de saúde como referência na atenção primária à saúde bucal infantil em municípios do interior paulista. A iniciativa é pioneira ao proporcionar saúde bucal para o público da chamada primeiríssima infância, faixa que se estende desde o nascimento aos 3 anos, e abrange também a primeira infância, que chega aos 6 anos.

As crianças têm acesso a ações de prevenção, educação em saúde, avaliações clínicas e tratamentos odontológicos que são realizados diretamente em creches públicas. Este modelo de atendimento resulta em uma importante aproximação da universidade junto às demandas da comunidade e ampliando o acesso de crianças em situação de vulnerabilidade aos cuidados em saúde bucal. Segundo a Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura, o projeto atendeu cerca de 250 mil crianças e recém-nascidos de 2013 a 2025.

Embora as ações que deram origem ao projeto existam desde o final da década de 1980, a iniciativa foi formalizada como projeto de extensão universitária da Unesp em 2013, sob o nome Sorriso Feliz – Fortalecimento da Atenção Primária à Saúde Bucal na Primeiríssima e Primeira Infância na Educação Infantil do Estado de São Paulo – DRS II. Desde então, o projeto passou a integrar de forma permanente as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade.

Atendimento em escola

Ao longo dos últimos anos, o Sorriso Feliz expandiu significativamente sua atuação, estando presente em 40 municípios vinculados ao Departamento Regional de Saúde de Araçatuba (DRS II), dentre eles: Araçatuba, Birigui, Santo Antônio do Aracanguá, Brejo Alegre, Luisiânia, Buritama, Glicério, Lourdes, Murutinga do Sul e Piacatu.

No ano anterior, em Araçatuba, as ações alcançaram 32 escolas municipais, que somavam 5.751 crianças matriculadas. Desse total, 4.133 passaram por avaliações de risco à cárie. As equipes realizaram tratamento restaurador atraumático (ART) e aplicação de flúor em 924 crianças, totalizando aproximadamente 2.105 dentes tratados dentro do próprio ambiente escolar.

A experiência desenvolvida pela universidade também começou a repercutir fora do ambiente acadêmico. Tramita atualmente na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo o Projeto de Lei nº 449/2026, inspirado diretamente na metodologia aplicada pelo projeto. A proposta prevê a criação da Política Estadual “Sorriso Feliz”, voltada ao fortalecimento da atenção primária à saúde bucal na primeiríssima e primeira infância, com ações integradas de prevenção, diagnóstico precoce, educação em saúde e cuidado contínuo em creches, escolas e unidades de saúde.

Na origem, a história de vida de um docente

A trajetória que deu origem ao projeto está diretamente ligada à atuação do professor Wilson Galhego Garcia. O contato do docente com crianças começou ainda na adolescência, quando atuava como voluntário no Lar José Maria Lisboa, uma instituição de longa permanência localizada em Birigui, interior de São Paulo. A experiência o aproximou de importantes nomes da odontologia da região, como os doutores Roberto Holland e Pedro Felício Bernabé, que realizavam atendimentos odontológicos voluntários aos sábados na própria instituição. 

Embora convivesse com profissionais renomados, o vestibular para odontologia não lhe interessou à época. Sentindo afinidade pelas ciências humanas, Galhego ingressou no curso de Letras. Posteriormente, concluiu mestrado em Linguística e doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP). Sua trajetória acadêmica, no entanto, foi atravessada pelo contexto político da ditadura militar. Durante os anos de chumbo, após o golpe de 1964, o docente sofreu perseguições políticas que interromperam parte de sua formação universitária, levando-o a permanecer afastado da vida acadêmica por um período devido ao risco de ser preso.

Mas foi neste contexto que se deu sua aproximação com a Faculdade de Odontologia de Araçatuba. Sem uma afiliação acadêmica, o antropólogo foi acolhido pelo professor Roberto Holland, então diretor da faculdade, que lhe cedeu uma sala no Departamento de Odontologia. Nesse espaço, Galhego podia escrever artigos, participar de discussões acadêmicas e colaborar na tradução de trabalhos científicos para o inglês. Esta atuação permitiu que, progressivamente, ele se aproximasse da área odontológica e da produção científica da instituição.

Seu ingresso oficial na FOA ocorreu em julho de 1985. Na época, uma reformulação curricular nacional passou a exigir  que a formação dos estudantes incluísse uma disciplina de Ciências Sociais Aplicadas à Odontologia. Diante da necessidade imediata de adequação curricular para que a última turma daquele período pudesse concluir a graduação, Wilson Galhego foi contratado em caráter emergencial para assumir a disciplina. Por orientação de Roberto Holland, passou a desenvolver um trabalho voltado à relação entre profissional e paciente, aproximando a formação odontológica de discussões ligadas às ciências humanas e ao cuidado na saúde bucal.

Naquele mesmo ano, o envolvimento de Galhego com as questões sociais se aprofundou quando assumiu a vice-supervisão do Centro de Assistência Odontológica à Pessoa com Deficiência (CAOE). Tratava-se de uma unidade auxiliar da FOA-Unesp voltada ao atendimento de pessoas com necessidades especiais. A convite de Rui dos Santos Pinto, fundador da unidade, o docente passou a conviver diariamente com pacientes e, sobretudo, com mães que enfrentavam sozinhas os desafios do cuidado, da vulnerabilidade social e da exclusão.

A experiência marcou profundamente sua trajetória profissional e acadêmica e serviu de base para pesquisas sobre as formas, muitas vezes silenciosas, de preconceito presentes no atendimento odontológico. “Eu me via em um paradoxo, tendo contato com um pessoal de primeiríssimo mundo e convivendo, ao lado, com uma população mal atendida, ou que não é atendida”, relembra o docente.

A defesa de um novo modelo

Essa constatação motivou-o a buscar meios para aproximar a universidade das demandas da comunidade externa. Um ponto decisivo nessa busca deu-se em 1988, quando orientou a tese de doutorado de Luíza Nakama. A doutoranda era vinculada à Pastoral da Criança e à Bebê Clínica de Londrina, instituição pioneira na atenção odontológica voltada à primeira infância. A partir dessa aproximação, o docente passou a ter contato com protocolos, formulários e metodologias estruturadas de acompanhamento da saúde de bebês e gestantes.

A partir da descoberta dessas experiências, Galhego passou a defender um modelo de assistência odontológica que ultrapassasse os limites físicos da universidade. A escolha pelas creches e berçários públicos surgiu a partir de uma percepção ligada à própria dinâmica da saúde coletiva: os atendimentos realizados de forma individualizada em consultórios eram insuficientes diante da velocidade com que novas demandas surgiam. Quando o acompanhamento de um grupo era concluído, muitas das primeiras crianças avaliadas já apresentavam novamente lesões de cárie. Levar as ações diretamente para o ambiente escolar permitiria inverter esse cenário, priorizando prevenção, acompanhamento contínuo e cuidado em larga escala ainda nos primeiros anos de vida.

A consolidação dessa proposta ocorreu durante uma viagem a Foz do Iguaçu, onde Wilson acompanhou um treinamento promovido pela Pastoral da Criança. Na ocasião, presenciou a médica Zilda Arns, fundadora da organização, ensinar a mães uma técnica simples de higienização bucal infantil: enrolar uma gaze no dedo, umedecer em água e limpar delicadamente toda a boca do bebê.

   Wilson Galhego e Zilda Arns em 2004. Acervo pessoal

A simplicidade e a eficácia do método chamaram a atenção do professor, especialmente pelo fato de não provocar desconforto ou resistência nas crianças. Pouco tempo depois, ainda no final da década de 1980, Galhego passou a mobilizar estudantes da Unesp para aplicar a técnica em berçários de creches públicas da região de Araçatuba e Birigui. As ações incluíam a higienização bucal dos bebês, além de orientações direcionadas a educadoras e mães sobre a importância de repetir o procedimento diariamente.

Ao longo das décadas de 1990 e 2000, as visitas às creches e as ações preventivas passaram a constituir a principal base das atividades de campo coordenadas pelo linguista. Buscando garantir respaldo técnico, e evitar possíveis resistências relacionadas à atuação fora do ambiente clínico tradicional, ele determinou que todas as atividades preventivas envolvendo atendimento odontológico fossem acompanhadas por cirurgiões-dentistas da rede pública de saúde. Sua participação pessoal focou principalmente a coordenação pedagógica das ações, as articulações para obtenção e distribuição de insumos (o que resultou, ao longo dos anos, na entrega de milhares de escovas de dentes), e na capacitação contínua de educadoras durante as reuniões escolares.

Os estudantes se juntam ao projeto

Entre 2010 e 2011, os estudantes de graduação em odontologia passaram a acompanhar agentes comunitários de saúde em visitas domiciliares vinculadas às Unidades Básicas de Saúde (UBS). O engajamento dos estudantes representou um amadurecimento da iniciativa e abriu caminho sua formalização como projeto de extensão universitária da Unesp. Em 2013, a proposta foi oficialmente submetida aos órgãos da universidade e registrada no sistema de extensão da Universidade. O nome Sorriso Feliz foi sugerido por um aluno durante uma das aulas do professor Galhego. 

 Estudante demonstra limpeza da gengiva

A integração à estrutura acadêmica da universidade trouxe às ações maior respaldo institucional e apoio à expansão das atividades. Ao longo dos anos seguintes, as avaliações realizadas nas escolas passaram a demonstrar uma presença significativa de lesões de cárie entre as crianças atendidas, levando a equipe a avançar para além das estratégias preventivas e educativas. Triagens e avaliações clínicas mais detalhadas começaram a ser incorporadas às atividades, produzindo dados que reforçaram a necessidade de aproximação com as políticas públicas de saúde.

A dentista Maria Ester Gumerato integra o projeto Sorriso Feliz desde o início. Formada pela USP de Ribeirão Preto e com 36 anos de atuação profissional, Maria Ester conheceu Wilson Galhego enquanto trabalhava como diretora do departamento odontológico da prefeitura de Birigui. A odontologista participou das atividades de avaliação de saúde bucal, orientação de higiene e atendimento das crianças assistidas pelo projeto.

Ao participar no projeto, Maria Ester constatou que grande parte das crianças nas escolas atendidas, embora estivessem ainda nos primeiros anos da infância, já apresentavam necessidades odontológicas importantes e muitas vezes nunca haviam recebido qualquer atendimento odontológico.

Ela explica que a colaboração no projeto exige que o profissional atue fora de sua zona de conforto profissional, mas traz também oportunidades especiais.

“Em um consultório você tem todo o material e o equipamento à mão. No projeto, é preciso aprender a trabalhar dentro daquelas características. E é possível fazer até um certo limite. Mas o mais interessante é que você atende um monte de crianças que têm poucos recursos”, afirma.

Atendimento em escola

A secretaria de saúde do estado se interessa pelo projeto

Um passo importante nesse processo ocorreu em outubro de 2019, quando Wilson Galhego iniciou diálogos com a Coordenadoria de Saúde Bucal da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. A experiência desenvolvida pela FOA-Unesp chamou atenção por direcionar suas ações à primeiríssima infância, faixa etária ainda pouco contemplada pelas políticas públicas odontológicas estaduais naquele momento.

A partir de 2020, as articulações para integrar as ações ao programa estadual Sorria São Paulo consolidaram institucionalmente a proposta. A aproximação entre universidade e poder público permitiu ampliar o alcance das atividades para diferentes municípios da região, fortalecendo a inserção do projeto na atenção primária à saúde bucal e abrindo caminho para novos financiamentos e parcerias institucionais.

Com a ampliação das ações realizadas nas creches e escolas, o projeto começou a demandar também uma organização institucional mais ampla, envolvendo planejamento, articulação com órgãos públicos e estrutura administrativa capaz de sustentar a expansão das atividades. É nesse contexto que se intensifica a participação da professora Cristina Antoniali Silva, atual coordenadora do Sorriso Feliz.

Aproximação com os municípios

Ligada à Faculdade de Odontologia de Araçatuba, Cristina Antoniali passou a acompanhar o crescimento do projeto em um momento em que as ações deixavam de ser iniciativas mais localizadas para assumir uma dimensão regional. Além do trabalho desenvolvido diretamente nas escolas e creches, tornou-se necessário estabelecer diálogo contínuo com secretarias municipais, diretorias regionais e diferentes instâncias da universidade para garantir a continuidade das atividades.

Segundo a professora, os anos de 2022 e 2023 marcaram uma etapa importante de ampliação do Sorriso Feliz. Inicialmente concentrado nas escolas municipais de Araçatuba, o projeto passou a alcançar também outros municípios vinculados à Regional de Saúde de Araçatuba (DRS II). Esse crescimento exigiu a organização de equipes, logística de atendimento, definição de cronogramas e articulação entre universidade, escolas e serviços públicos de saúde.

Ao mesmo tempo, o projeto consolidou um modelo de atuação que articula ensino, pesquisa e extensão. Estudantes de graduação e pós-graduação passaram a participar diretamente das atividades em campo, enquanto pesquisas vinculadas à saúde bucal infantil começaram a ser desenvolvidas a partir dos dados e experiências acumulados nas escolas. A integração entre essas diferentes frentes ajudou a estruturar o Sorriso Feliz como uma ação contínua da universidade junto à comunidade.

“A comunidade apresenta uma demanda, e a universidade, por meio da ciência, da tecnologia e do conhecimento, atua junto dela para buscar soluções. Por isso, as parcerias com as Secretarias de Saúde e de Educação são extremamente importantes, porque a continuidade precisa ser assumida pelo próprio município mesmo depois que a universidade encerra sua participação”, explica a docente.

Projeto resultou em dissertações, artigos e TCCs

Os números também ajudam a dimensionar um dos principais impactos da metodologia adotada pelo projeto. Na prática, a maior parte das demandas odontológicas foi resolvida nas próprias escolas, evitando deslocamentos das famílias e reduzindo a necessidade de inserção em filas de espera da rede pública. Apenas 343 crianças precisaram ser encaminhadas às Unidades Básicas de Saúde (UBS), o equivalente a 8,3% do total de crianças avaliadas.

Além do atendimento direto à população, o projeto consolidou uma atuação que articula ensino, pesquisa e extensão universitária. Estudantes passaram a desenvolver atividades práticas nas escolas e creches, enquanto pesquisas relacionadas à saúde bucal infantil começaram a ser produzidas a partir dos dados obtidos em campo. Em 2025, as atividades do Sorriso Feliz resultaram em cinco trabalhos de conclusão de curso na graduação em Odontologia, cinco dissertações no Programa de Pós-Graduação em Ciências da FOA-Unesp e cinco artigos científicos publicados em revistas internacionais da área odontológica.

Visitação de equipe de estudantes da FOA para creche. Wilson Galhego está sentado à esquerda.

A estrutura necessária para sustentar essa atuação também revela a dimensão alcançada pelo Sorriso Feliz. Em 2025, participaram diretamente das atividades 40 estudantes de graduação e 10 estudantes de pós-graduação, todos bolsistas vinculados ao projeto. O financiamento ocorreu por meio de recursos da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, que destinou R$ 3,6 milhões ao projeto via Fundunesp, além de apoio da Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura (PROEC), responsável pelo financiamento de bolsas de extensão e apoio anual às atividades.

“O aluno de graduação, que está em formação, tem a oportunidade de receber o aprendizado no ambiente da universidade e colocá-lo em prática em outros ambientes. Porque, por incrível que pareça, as crianças que são atendidas pelo projeto estão em condições de maior vulnerabilidade do que os menores atendidos nas clínicas da Faculdade de Odontologia”, ressalta Cristina.

Em 2025, as atividades desenvolvidas no Sorriso Feliz deram origem a cinco trabalhos de conclusão de curso na graduação em Odontologia, cinco dissertações no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Faculdade de Odontologia de Araçatuba e cinco artigos publicados em revistas científicas internacionais da área odontológica.

As avaliações realizadas nas escolas passaram a demonstrar de forma mais evidente a dimensão do problema enfrentado. Os levantamentos de risco à cárie indicavam índices elevados de comprometimento da saúde bucal infantil, especialmente entre crianças em contextos de maior vulnerabilidade social.

“Eu vejo claramente os impactos desse projeto de forma mais ampla na saúde das crianças”, diz Cristina. Ela explica que a saúde bucal tem reflexos diretos sobre a saúde geral. Estudos mostram que crianças que carecem de saúde bucal adequada tendem a se tornar adultos com a saúde sistêmica ruim.

“Isso gera impactos não só sobre o indivíduo, mas sobre toda a comunidade. Um adulto com a saúde prejudicada produz menos e demanda mais investimentos públicos na forma de tratamentos e cuidados contínuos. Isso gera sobrecarga para o sistema de saúde. Por isso, podemos entender que um projeto como o nosso gera efeitos que se estendem para muito além da infância. Ele contribui para formar adultos mais saudáveis e, consequentemente, colabora com o país”, diz Cristina.

Fonte: https://jornal.unesp.br/2026/06/11/o-projeto-sorriso-feliz-da-extensao-universitaria-as-politicas-publicas-voltadas-para-a-saude-bucal-infantil/

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Sorriso Feliz continua no caminhão do enfrentamento da cárie em crianças escolares

Sorriso Feliz continua no caminhão do enfrentamento da cárie em crianças escolares. 

Por: Professora Alessandra Marcondes Aranega 

“Pé na estrada!!! O trabalho de sonhar grande é o mesmo do que sonhar pequeno”. Essas são palavras do sempre animado, idealizador do Sorriso Feliz, professor Wilson Galhego Garcia. 

O projeto de extensão universitária denominado Sorriso Feliz recebe a doação de aproximadamente 15.000 kits da empresa Colgate para a continuidade de suas ações no ano de 2025 (Figura 1 a-b). Esse é mais um resultado de um longo caminho já percorrido pelo Convênio que tem sido celebrado entre a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, por intermédio da Faculdade de Odontologia de Araçatuba e a Prefeitura Municipal de Araçatuba, com recursos financeiros oriundos da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo para a realização do projeto. 

Várias têm sido as ações do Sorriso Feliz no desenvolvimento de política pública de enfrentamento à cárie na primeiríssima e primeira infância em ambiente escolar de crianças entre 0 a 5 anos e 11 meses de idade, estando suas atividades concentradas em algumas cidades do Departamento Regional de Saúde da área II do estado de São Paulo. Embora as parcerias dependam da pactuação direta entre o projeto, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Araçatuba e a prefeitura municipal de uma nova cidade, a fim de que docentes e discentes do projeto visitem presencialmente as suas escolas municipais de ensino básico (EMEBs), algumas delas localizadas cidades de Araçatuba e Birigui têm se tornado campo de formação para que gestores da saúde e educação, cirurgiões dentistas e auxiliares de saúde bucal de outras cidades possam realizar visita técnica programada, conhecer o projeto e obter a devida capacitação. 

Nos dias 3 e 4 de junho de 2025 a Faculdade de Odontologia da Unesp de Araçatuba (FOA) realizou o “3º Encontro de Formação do Projeto Sorriso Feliz”. O encontro reuniu preceptores, bolsistas e voluntários em mais uma etapa de integração das melhores evidências cientificas às práticas clínicas. O evento, que ocorreu em formato teórico-prático, contou com a participação de representantes dos municípios de Araçatuba, Bastos, Brejo Alegre, Birigui, Fernandópolis, Lavínia, Nova Castilho e Santo Antônio do Aracanguá. Estiveram presentes nele autoridades importantes, como o professor Alberto Carlos Botazzo Delbem, diretor da FOA, Elisangela Regina Arthur Guiem Ferraz, representante da Secretaria Municipal de Saúde de Araçatuba, Dr. Dionatan de Oliveira, coordenador de saúde bucal de Bastos, e Dra. Jaqueline Santos, coordenadora de Nova Castilho. Durante o encontro, os professores Daniela Atili Brandini de Weert e Robson Frederico Cunha conduziram a etapa teórica, que abordou os fundamentos da odontologia de mínima intervenção, destacando protocolos clínicos baseados em evidências, como o tratamento restaurador atraumático (ART), o uso da fluorterapia e estratégias de educação em saúde bucal. 

Nos dias 28 e 29 de julho de 2025 a FOA realizou o “Projeto Sorriso Feliz” de portas abertas - UNICAMP. O evento reuniu docentes, alunos de graduação e de pós-graduação para que ocorresse a visita técnica por equipe da Faculdade de Odontologia de Piracicaba da UNICAMP ao campo de trabalho do Sorriso Feliz. O evento, que iniciou com uma reunião técnica no dia 28, contou com a participação do vice diretor da FOA, Luciano Tavares Angelo Cintra, dos coordenadores do Sorriso Feliz, Wilson Galhego Garcia, Cristina Antoniali Silva, Daniela Atili Brandini de Weert, Mariana Gabriel, Valdir Gonzalez Paixão Júnior e Alessandra Marcondes Aranega e dos visitantes ilustres da UNICAMP, docente Valentim Adelino Ricardo Barão, servidora administrativa Marli Padovan de Souza, alunos de pós-graduação, Letícia Nascimento Martins de Fonseca, Gildenilson Oliveira Júnior, Ayrton Gerôncio Silva e alunos de graduação, Lissandra Crispim de Faria Crux, Maria Fernanda Zaccharias Okuyama e Júlia Paoletti Fogari. Na reunião foram abordadas as fases do Sorriso Feliz, fundamentos da odontologia de mínima intervenção, noções de alguns protocolos clínicos, como o tratamento restaurador atraumático (ART), e a importância de estratégias para a educação em saúde bucal. Os participantes vivenciaram no dia seguinte o cotidiano das ações do projeto em duas unidades de educação infantil, na EMEB Sérgio Esgalha em Araçatuba e na CEI Dr. Onofre Assunção dos Santos em Birigui, onde diagnosticaram cárie, trataram e dialogaram com as crianças do Projeto Sorriso Feliz. 

Tais capacitações têm integrado o planejamento estratégico do Sorriso Feliz, que busca qualificar a atenção primária por meio da parceria ensino-serviço entre a DRS II de Araçatuba, a Unesp ou entre importantes cidades de outras regionais com a própria Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, por meio da elaboração de novos projetos no âmbito estadual ou federal. 

Com suas ações de saúde e também educativas, o projeto tem se mantido firme na implementação de logísticas delineadas pelo próprio governo do estado de São Paulo e tem oferecido a outras cidades experiência concreta de modelos de trabalho passíveis de serem executados no ambiente escolar, o que tem tornado realidade os estudos teóricos de boas práticas em saúde bucal para crianças escolares. 

Embora sejam apontadas algumas dificuldades, como a necessidade de que todos os cirurgiões dentistas se destinem ao conhecimento da saúde bucal das suas crianças, conforme as unidades escolares que tenham como referência as suas respectivas Unidades Básicas de Saúde (UBS´s), as cidades têm destinado alguns cirurgiões dentistas com perfil sensível à causa para que conheçam a situação bucal das crianças da cidade a fim de que as suas prefeituras articulem gradativas melhorias na rotina diária para a saúde bucal nas escolas, sendo esse o caso das cirurgiões dentistas Lilian Maria Brisque Pignatta Costa, Adriana Kazuyo Yoshida e Ana Vanuire Sgorlon Budoia, da cidade de Araçatuba-SP, Maria Ester Gumerato e Wânia Pontes Branco, da cidade de Birigui-SP. 

Reconhece-se a importância da participação dos cirurgiões dentistas em discussões escolares, sendo mais ativa quando destinada a reuniões com educadores e pais, o que tem sido o grande diferencial de algumas cidades impactadas pelo projeto. 

O assunto saúde bucal ainda é pouco discutido no planejamento anual das atividades pedagógicas da área da educação, mas acredita-se que a presença do cirurgião dentista no espaço escolar tem modificado a atenção dada a esse assunto, uma vez que têm sido constantemente relatados ao profissional em ação casos de crianças cuja presença da enfermidade bucal tem impactado a saúde da criança, suas relações sociais e seu comportamento em sala de aula. 

Apesar da insistente presença do cirurgião dentista em reuniões com educadores, fomentando debates sobre a saúde bucal das crianças em reuniões de pais, salienta-se que é de suma importância dirigir de forma que os educadores e pais se apropriem anualmente do conhecimento de que a boca faz parte do corpo e que a saúde de um depende da saúde do outro. Mais ações de capacitação devem ser articuladas para que o próprio educador se sinta mutuamente responsável em promover o hábito diário da escovação diária na escola, não deixando essa medida protetiva de a criança à cargo apenas do cirurgião dentista, o qual tem pouco contato com a criança. O projeto insiste que a promoção da saúde bucal precisa fazer parte das diretrizes curriculares de várias áreas da saúde e em especial da área da educação, e não apenas do curso de odontologia. 

O esforço conjunto entre outras universidades, organizações governamentais e não governamentais já apresenta resultados concretos, contribuindo para a melhoria dos indicadores de saúde bucal infantil nas cidades envolvidas e consolidando um modelo de cuidado mais efetivo, humano e baseado em evidências. Segundo o coordenador do projeto e militante da primeira infância, professor Wilson, as expectativas futuras são promissoras: "A proposta de expansão do Sorriso Feliz para outros departamentos regionais de saúde, estados envolvendo parcerias com outras universidades, avança”. A projeção é de que o modelo inovador do Sorriso Feliz possa inspirar e fortalecer políticas públicas de saúde bucal em âmbito nacional. 

“Conquistar um caminhão de escovas dentárias para que tais instrumentos de higiene façam parte da rotina diária da criança não é apenas uma ação solidária entre organizações governamentais e não governamentais, mas é acreditar que, com o principal destino de se conquistar o sorriso saudável e perfeito, o avanço da ciência pode chegar à posse de todo cidadão onde a criança é o futuro dessa nova civilização mais consciente e feliz.” 

Texto elaborado pela coordenadora adjunta do projeto, Professora Alessandra Marcondes Aranega, também tutora do Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP.


Coordenador Wilson Galhego Garcia e Coordenadora Adjunta Alessandra Marcondes Aranega do Sorriso Feliz acompanham descarregamento de kits de escovas da empresa Colgate com apoio de servidores da FOA-UNESP.
Coordenador Wilson Galhego Garcia e Coordenadora Adjunta Alessandra Marcondes Aranega do Sorriso Feliz acompanham descarregamento de kits de escovas da empresa Colgate com apoio de servidores da FOA-UNESP.
3º Encontro de Formação do Projeto Sorriso Feliz com a presença de Doris Hissako Matsushita, Elisangela Regina Arthur Guiem Ferraz, Daniela Atili Brandini de Weert, Alessandra Marcondes Aranega, Alberto Carlos Botazzo Delbem, Robson Frederico Cunha, Dionatan de Oliveira, Jaqueline Santos (a) e representantes das cidades de Araçatuba, Bastos, Brejo Alegre, Birigui, Fernandópolis, Lavínia, Nova Castilho e Santo Antônio do Aracanguá
3º Encontro de Formação do Projeto Sorriso Feliz com a presença de Doris Hissako Matsushita, Elisangela Regina Arthur Guiem Ferraz, Daniela Atili Brandini de Weert, Alessandra Marcondes Aranega, Alberto Carlos Botazzo Delbem, Robson Frederico Cunha, Dionatan de Oliveira, Jaqueline Santos (a) e representantes das cidades de Araçatuba, Bastos, Brejo Alegre, Birigui, Fernandópolis, Lavínia, Nova Castilho e Santo Antônio do Aracanguá
Equipe visitante da UNICAMP com equipe do Projeto Sorriso Feliz na CEI Dr. Onofre Assunção dos Santos
Equipe visitante da UNICAMP com equipe do Projeto Sorriso Feliz na CEI Dr. Onofre Assunção dos Santos

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Expansão de programa permite tratamento dentário a crianças dentro da própria rede escolar


Fonte: Folha da Região

Projeto Sorriso Feliz atendeu mais de 3.500 crianças da rede municipal de ensino de Araçatuba


Fonte: O Liberal Regional

Entrevista com o secretário de Saúde, Daniel Martins Ferreira Júnior e com a cirurgiã dentista da Divisão Odontológica da Secretaria de Saúde e preceptora do projeto Sorriso Feliz, Lilian Pignatta


Fonte: Prefeitura Municipal de Araçatuba

Projeto Sorriso Feliz atendeu mais de 3,5 mil crianças da rede municipal de ensino de Araçatuba


Fonte: Prefeitura Municipal de Araçatuba   

quinta-feira, 29 de maio de 2025

Destaque da UNESP na Frente Parlamentar pela Saúde Bucal com o projeto Sorriso Feliz

Sorriso Feliz apoia a união das universidades pela saúde bucal na primeiríssima e primeira infância.

por: Prof. Dra. Alessandra Marcondes Aranega

No dia 22 de maio de 2025, provocada pelo Deputado Estadual Mauro Bragato, durante o lançamento da Frente Parlamentar pela Saúde Bucal ocorrida na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a nossa Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) teve assento na mesa principal do evento ao ser representada pelo Pró-reitor de Extensão e Cultura da UNESP, Raul Borges Guimarães, e o professor sênior, Wilson Galhego Garcia, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP (Figura 1). Juntamente com o deputado, estavam entre eles o coordenador-geral de saúde bucal do Ministério da Saúde, Edson Hilan Gomes de Lucena, e outros representantes da USP e UNICAMP, os quais discorreram sobre a atual situação da cárie dentária no estado de São Paulo, no Brasil e no mundo, e o papel que as universidades possuem para estudarem e apresentarem ferramentas ao Sistema Único de Saúde (SUS) a fim de solucionarem a problemática social.

O pró-reitor da UNESP, representando a atual reitora da UNESP, Maysa Furlan, reforçou todo o empenho que a UNESP se coloca para contribuir com a atual frente parlamentar. Nomeou a presença no evento de dois assessores da reitoria da UNESP, Dr. Sérgio Muller, assessor da atual reitora, e Dr. Valdir Gonzalez Paixão Júnior, assessor do reitor cessante, Pasqual Barreti, os quais apoiaram e apoiam os passos políticos do projeto Sorriso Feliz da UNESP. Citou também a participação de vários professores da Faculdade de Odontologia de Araçatuba - UNESP, Cristina Antoniali, Alessandra Marcondes Aranega, Mariana Gabriel, Valdir Gonzalez Paixão Júnior e Dóris Hissako Matsushita (Figura 2), tendo alguns deles percorrido mais de 500Km em apoio à Assembleia, e também a presença da diretora Patrícia Nordi Sassi Garcia, da Faculdade de Odontologia de Araraquara – UNESP. Ressaltou a importância que a UNESP tem no território Paulista, haja vista que tal universidade está presente em 24 cidades do estado, por meio de suas 34 unidades, não havendo nenhum município paulista distante mais do que 200Km de uma unidade da UNESP. Essa projeção geográfica da universidade paulista faz com que haja grande enraizamento dela em todo o estado. O campus da UNESP é o território paulista, enfatizou o pró-reitor, que também teceu vários elogios ao projeto Sorriso Feliz, o qual tem atuado em cidades do Departamento Regional de Saúde da área II do Estado de São Paulo e atendido até 10.000 crianças em tais cidades. Admitiu ser estarrecedor que num estado como o de São Paulo ainda haja, aproximadamente, 40% das crianças pré-escolares com cárie. Com todas as condições técnicas que uma universidade tem, além de seu conhecimento, as três universidades públicas estaduais precisam unir esforços a fim de solucionarem o problema, que parece simples, mas tem sido bastante complexo, pois envolve a interdisciplinaridade e o multiprofissionalismo. Deverão envolver, inclusive, a questão pedagógica, a fim de formar uma cultura ao redor da saúde bucal e geral. Algo importante que tem ocorrido nos últimos anos é essa união das três universidades, sendo algumas conversas realizadas periodicamente. Com os investimentos que são feitos nas universidades, acredita-se ser possível que elas deem um melhor retorno à sociedade por meio de parcerias sólidas entre as esferas governamentais, articulando com prefeitos e secretários municipais a fim de enfrentarem o problema da cárie dentária. Há necessidade de articulações, com urgência, no que diz respeito à retomada dos trabalhos por uma coordenadoria de saúde bucal estadual, diante da complexidade que é o estado de São Paulo. É preciso que todas as forças sejam somadas para que se dê uma resposta rápida à população, especialmente às crianças, instituindo o trabalho preventivo com início na própria escola. O pró-reitor enxerga a criação da frente parlamentar como um momento histórico, com a qual será capaz de, em curto espaço de tempo, proporcionar resultados importantes em prol da população do estado de São Paulo. Terminou o seu discurso agradecendo e reiterando que a UNESP continuará se empenhando para colaborar com a referida frente e com a união das universidades paulistas.

Em suas palavras de agradecimento ao deputado, o professor Galhego afirmou que a participação das Faculdades de Odontologia espalhadas pelo Estado de São Paulo é de suma importância, tendo em vista que o estado de São Paulo possui mais de 100 Faculdades de Odontologia e que só a UNESP possui três dessas faculdades espalhadas pelo estado, além das unidades da USP e da UNICAMP, presentes na atual parceria. Afirmou que as articulações para que haja a parceria entre a UNESP, USP e UNICAMP, à respeito dos assuntos relacionados à saúde bucal, não tem sido fácil, mas que já estão acontecendo, e a presença delas na assembleia demonstra tal união. Historiou sobre a sua participação no passado com populações vulneráveis, levando-o a ter contato com Bárbara Starfield, que o desafiou a tratar as populações com equidade, incluindo os agentes comunitários de saúde nas ações. O docente, em parceria com a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, citou a participação árdua da Diretora Técnica na época, a cirurgião dentista Maria Fernanda Tricoli, na construção das diretrizes estaduais, descrevendo uma classificação de risco aplicável de forma simples para o ambiente escolar, o que pareceu responder em grande parte às questões de equidade citada por Starfield. O docente aproveitou-se da experiência em campo do Projeto Sorriso feliz, que, apesar de estar com ações há algum tempo em municípios do Departamento Regional de Saúde da área II do estado de São Paulo, somente em 2024 conquistou recursos no valor de R$3.600.000,00, junto à Secretaria do Estado de São Paulo, por meio de Convênio celebrado entre a UNESP, a Prefeitura Municipal de Saúde de Araçatuba e com a interveniência da FUNDUNESP. Tal recurso fez com que o projeto trabalhasse de forma efetiva na primeiríssima infância na DRSII. É claro que, ao estar em campo de creches localizadas em escolas, especialmente de cidades pequenas, o Sorriso Feliz não se limitou ao trabalho com crianças somente até 3 anos de idade, conforme elencado no convênio. Em algumas escolas, o projeto conseguiu acompanhar a realidade de crianças até o ensino fundamental, embora o foco do projeto são as crianças da educação infantil. Com a participação da própria Maria Fernanda Tricoli, que o colocou em contato com a Professora da USP, Fernanda Carrer, com ambas “Fernandas”, o projeto tem feito o impossível, o que tem resultado num outro grande projeto que poderá disseminar a ferramenta para todo o estado se esse for aprovado. Mesmo com a USP, UNESP e UNICAMP, ainda parece impossível tomar conta de todo o estado, se pensar na ferramenta para a educação infantil e englobar o ensino médio fundamental todo, admite o professor sênior. Por isso, ele mesmo afirmou ser salutar que outras faculdades particulares do estado de São Paulo também sejam envolvidas em tal união. A ideia é que o projeto possa também atribuir bolsas a outros alunos, disse ele, não somente das faculdades estaduais, mas também de faculdades federais e particulares, as que encamparem o desafio de enfrentamento da cárie dentária. A tarefa do novo projeto é muito grande, o que também envolverá a participação do Ministério da Saúde, presente no evento. Admitiu que a parceria do Ministério da Saúde sempre ajuda as ideias do Sorriso Feliz, especialmente quando algo simples vira norma ou lei, como foi o que ocorreu com recursos advindos para as cidades que fariam a Odontologia de Mínima Intervenção, com os quais foi possível comprar Ionômero de vidro, conforme o número de crianças presentes nas escolas dos municípios. A técnica da restauração atraumática (ART) nas escolas tem virado realidade, ainda mais quando se percebeu que não é preciso uma cadeira odontológica na escola para fazer isso acontecer. O docente sênior encerrou seu discurso solicitando apoio para que o novo projeto seja aprovado, uma vez que o objetivo é sempre a criança e não o protagonismo de uma universidade ou outra nas ações. A solução do problema da cárie dentária somente ocorrerá com a união das faculdades de Odontologia e das Universidades do Estado, ele concluiu.

Os coordenadores do Sorriso Feliz concordam que, diante da problemática social que há anos tornou-se sem solução, somente a união de esforços poderá fazer o impossível acontecer. Sendo a cárie dentária um problema multifatorial, a sua solução exigirá que a odontologia reconheça que não será capaz de resolver sozinha tal problemática. É preciso que cada disciplina, profissão e as devidas esferas governamentais assumam as suas próprias responsabilidades. Dentre a multidisciplinaridade de um curso de Odontologia, que tem tentado explicar a origem da cárie dentária ou buscado tratar as suas consequências, o multiprofissionalismo das diversas áreas da saúde e da educação, que tem evitado o aparecimento da doença, bem como a sua progressão, é salutar que mais ações sejam instituídas de forma sustentável a fim de que sejam transformadas em políticas públicas, modificando a realidade social das pessoas, sejam elas bebês, crianças, adultos e idosos. É necessário que as ações sejam articuladas e incorporadas sob o olhar da ciência para que o controle das ações seja periodicamente monitorizado. Não é possível que um problema como esse seja solucionado em um, dois ou três anos. Para a extinção da cárie dentária haverá a necessidade de mudanças curriculares em cursos de graduação e da valorização de mais ações extensionistas, as quais fazem com que o aluno de graduação e o de pós-graduação enxerguem o problema social presente nas diversas massas sociais, incluindo as populações vulneráveis. Somente assim, acredita-se que a equidade será conquistada e a população efetivamente tratada.

Texto escrito pela docente Alessandra Marcondes Aranega
Tutora do grupo PET Odontologia de Araçatuba e também coordenadora adjunta do projeto de Sorriso Feliz

Foto: Bruna Sampaio




















































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